Os Leões.

Caros tricolores,

E a história se repete. Mesmos protagonistas, mesmo campo, mesma situação, outro árbitro, outro valor, outro técnico e a história se repete. Acho eu que o jogo preliminar de rugby prenunciava o que aconteceria na partida principal. Sei que para mais de 20.000 pessoas é fácil falar de fora das quatro linhas, é fácil dizer que é para jogar por ali ou dar o passe para aquele outro e tantas outras jogadas que só o olho do torcedor vê e dão sempre certo na cabeça desses espectadores. Sei que lá dentro é diferente. Sei também que o Fortaleza Esporte Clube é o time que possui, se não a maior torcida do Estado como atesta a crônica desportiva local, a torcida mais fiel e unida, como um grupo de leões das savanas. Possui a torcida mais bonita e acolhedora como bem afirmou o goleiro Maizena e porque não dizer a mais bela torcida, em todos os sentidos, inclusive quando se trata de reverenciar um dos símbolos da nossa grandiosa e sofrida pátria, o Hino Nacional. Foi maravilhoso ver o torcedor do Fortaleza postar-se para ouvir e acompanhar a execução do hino enquanto que a adversária não soube postar-se e ainda desrespeitou a execução dando gritos ( Se Ceará eu fosse, naquele momento teria vergonha de sê-lo). Foi duro coronel ver o senhor atiçar os leões da TUF e ver que os seus leões não estavam tão bem atiçados. Não eram os Panthera leo que povoam a Terra já a 30 milhões de anos. Eram leões de circo, domados, mansos e sem reação espontânea. Não vi, em vários tricolores, as garras pontiagudas (que atacam com força furando as zonas vitais de suas presas) e refrateis (que se recolhem na hora conveniente). Não ouvi o rugido (que pode ser ouvido a 9 km de distância) avisar ao companheiro da aproximação do ladrão de bola. Vi sim um leão lento, pesado e com pouca velocidade, típico daqueles leões velhos que vão perdendo o seu prestígio no grupo e são, posteriormente abandonados a sua própria sorte. Vi um leão dormente, como se tivesse se empanturrado e necessitasse de um longo período de digestão, período no qual qualquer animal ou ser humano poderia passar embaixo dos seus bigodes e ele apenas faria um único movimento para espantar a presa. E por falar em presa, o nosso leão só conseguiu caças pequenas até agora. A zebra (fazendo alusão às cores alvinegras) já fugiu três vezes. Chama-los de zebras é até um elogio porque o nosso arquirival está posando mais como hiena. Vive rindo pelos gramados porém, não apresentou time para ganhar um campeonato. Muito ao contrário, tem se alimentado das feridas dos outros animais, dos erros dos adversários, inclusive do Fortaleza. O Ceará tem sido um autentico urubu. Lamento ver que o leão do Pici difere dos leões africanos em diversos aspectos de comportamento. Aqueles não praticam a caça em grupo e se defendem da mesma forma como fazem os africanos. Tenho visto nos jogos que acompanhei que existe sim um leão se sobressaindo (ora é Clodoaldo, ora é Eron, ora é Sandro, etc.) para compensar o ostracismo dos demais. No reino animal tal pratica também ocorre contudo, ela é executada lendo-se em conta o tamanho da presa o que faz ver que para caças pequenas um é suficiente mas, para grandes caçadas o grupo deveria agir como um bando de leões atrás de uma zebra ou gnu. O reino animal nos ensina muito, caros amigos. O leão africano não tem predadores contudo estão ameaçados pela concorrência de outros gatunos que são mais rápidos que este. A solução encontrada pelo Panthera leo é eliminar o seu adversário bem antes que ele possa tornar-se um perigo, no caso quando filhotes. Como o nosso adversário tem sido muito rápido em ternos de contratações, regularização de jogadores e outras artimanhas, devemos sempre elimina-lo bem cedo, antes que ele represente perigo. Tivemos a chance de tira-lo na primeira partida porém deixamos que ele crescesse e nos roubasse a comida. É difícil entender está situação. Antes tínhamos o Lira para complicar o time e agora que temos um técnico competente e inteligente que conseguiu recuperar a alto estima destes felinos, ao ponto de faze-los abater as presas em três tempos (média de três gols por partida) no segundo turno, acontece a mesma coisa. Além de ver a minha namorada ocupar-se em fazer tranças nos seus cabelos pois já tinha perdido as esperanças no time que ela conheceu este ano e passou a adora-lo e, que aos seus olhos jogava com medo, vi o Paulão novamente ser o único jogador eficiente, honrar a camisa tricolor e colocar o seu sangue em sintonia com o vermelho da camisa tricolor. Vi o Sandro não ganhar uma bola pelo alto e muito mesmos criar uma jogada que o qualificasse na posição na qual ele é escalado. Cheguei a comentar com o meu pai que eu ficaria mais feliz com ele como volante, já que nas roubadas de bola e desarme na meia-cancha. Quem sabe ele poderia ser mais um dos zagueiros-artilheiros que estão fazendo nome pelo Brasil. Não estou crucificando o Sandro pela derrota, acho até que ele padece por não Ter alguém que esteja em sintonia com ele, alguém que faça a ligação do meio para o ataque, alguém que preencha o grande buraco que o Fortaleza deixa aberto no meio do campo. Acho, como mais um dos técnicos do Brasil, que carecemos de um leão Simbá no nosso meio de campo. Alguém que como o líder de um bando de leões demarque com sua garra e seu suor (já que não se pode urinar em campo como fazem os leões africanos) aquele território e declare-o nosso. Precisamos de um Simbá ou de um Dunga que grite com os companheiros e levante a moral do time. Poderíamos dar esta incumbência ao Denilson contudo, falta-lhe a sabedoria que os leões de juba já formada apresentam. Falta ele saber que na hora da caça o leão não ruge, ele espera chegar mais perto do momento certo para dar o bote. Caro coronel, acho que exagerei nas metáforas mas foi a melhor forma que eu encontrei para descrever a posição do tricolor de aço, clube cujo fogo o senhor reacendeu, a despeito de ser comandante dos bombeiros, e que levou a torcida a pegar fogo de orgulho e esperança de reconquistarmos a verdadeira posição do Fortaleza dentro do futebol alencarino. Sei que a ginástica tornou-se a sua marca personalizada junto a torcida porém, como torcedor supersticioso, acredito que ela seria bem mais significativa se fosse executada como no momento em que foi criada. Espero que as minhas colocações sejam vistas não como ofensa e sim como uma crítica construtiva. Vamos ao turno da morte. Cordialmente. José Orlando Carlos da Silva