Trilho, entre o azul, o vermelho e o branco
- cores de um tempo em que fui mais feliz -,
um caminho tranqüilo, sereno, feito o sono.
Estou de volta. Sim! Estou de volta para casa.
Vejo as arquibancadas. A geral. O gramado.
As bandeiras que tremem ao vento.
Agitadas. Nervosas.
Os corações que pulsam, feito o farol no mar:
o mar da terra onde nasci.
Trilho, entre o azul, o vermelho e o branco
- cores de um templo onde criei cicatriz -,
a lembrança de meu pai operário do mundo
a erguer pedras e suor no Estádio Plácido Castelo.
Vejo meu time entrar em campo. Cláudio Castilho.
O aceno no vento. As respostas de verbos. Clarins!
Lá se vão, para a mesma batalha de meu pai,
guerreiro, figurante orgulhoso de uma festa
que pára a cidade, estanca a veia do meu sorriso,
Lulinha, Louro, Pedro Basílio, Queiroz e Bauer, Chinezinho
e Lucinho, Nado, Amilton Rocha, Marciano e Geraldino.
É lindo ver o Fortaleza Esporte Clube jogar. É lindo.
Porque trilho, entre o azul, o vermelho e o branco
- cores de um tempo que tempo não diz -,
um caminho de volta. Sim! Tranqüilo. Sereno.
Feito o sono de quem volta, com os pés descalços,
pela grama verde - de meus 14 anos, e sorri,
docemente sorri, enquanto giram a bola e o mundo,
matemáticos, milimétricos, feito um gol do Pici.
José Rocha
8 de Fevereiro de 2000