Por
Júlio César Manso - 06 de Setembro de 2001
Colaboraram com perguntas os tricolores Tobias
Romcy, Marcelo Costa, Emanuel Costa, Daniel Quixadá, Estevão,
Maxênio Ferrer, Alessandro Fontenele, Ítalo, Gil.
JC: Fale sobre o seu início no futebol.
DF: Eu inicie minha carreira no Figueirense/SC, bem cedo, aos 16 anos
já estava no profissional. Depois eu passei por várias equipes
do futebol brasileiro como Bragantino, Juventude, Palmeiras, Internacional,
Atlético Mineiro, Juventus/SP, Paraná Clube, Inter de Limeira
e outras. São equipes que eu passei no cenário brasileiro,
fui bem em todas elas, graças a Deus, a maioria eu conquistei títulos
e no Fortaleza não foi diferente.
JC: Você estava na Inter de Limeira quando
pintou o convite para vim jogar no Fortaleza. O que passou pela sua cabeça?
DF: Eu não conhecia a estrutura do clube, busquei algumas informações
e fiquei sabendo que a diretoria tinha uma intenção muito
boa de formar uma equipe competitiva e quem sabe, até melhorar
a própria estrutura do clube. Eu aceitei o convite, me adaptei
muito bem, a gente ganhou dois campeonatos estaduais, fizemos grandes
campanhas no Nordeste, na Copa do Brasil, e o Fortaleza hoje é
um time reconhecido nacionalmente, todo mundo fala do Fortaleza. Alguns
amigos meus, que já atuaram comigo, me ligavam para poder jogar
aqui. Então, isso é sinal que o trabalho foi e ainda está
sendo muito bem realizado.
JC: O que você sentiu na hora do gol papapenta,
na hora em que a bola balançou as redes e a loucura que tomou a
torcida naquele momento? Você tem noção que o gol
foi ouvido em todo o Brasil, nos Estados Unidos, na Europa, no Japão,
enfim, em todo o mundo, por uma legião de torcedores que acompanham
o Fortaleza onde ele estiver?
DF: Primeiramente a emoção foi muito grande. O gol já
é importante em qualquer momento. E sendo naquele então,
momento decisivo, o Fortaleza tinha sete anos sem títulos. E quando
a bola entrou eu não sabia nem para onde correr. Só via
os torcedores pulando na arquibancada, comemorando. Depois eu imaginei
quantas pessoas eu fiz feliz com aquele gol. Isso me deixou muito bem,
foi uma coisa muito edificante para mim. Hoje o torcedor tem um carinho
muito grande por mim, e eu também tenho por eles. Quanto a muitas
pessoas ouvirem, eu já sabia, hoje com a Internet, as coisas estão
muito evoluídas. Alguns amigos meus que moram fora do estado, ouviram
pela Internet, e eu já tinha ficado sabendo disso.
JC: Esse Bicampeonato no Fortaleza está
entre os títulos mais importantes da sua carreira?
DF: Para mim o campeonato depois de sete anos foi mais importante. Ser
campeão com uma emoção de um gol é demais.
Sou feliz por ter conquistado vários títulos, e aqui no
Fortaleza os dois campeonatos que eu ganhei foram uns dos mais importantes
da minha carreira. Eu falo para todo mundo, não é demagogia,
não é da boca para fora, que uma das melhores fases que
estou atravessando na minha profissional está sendo aqui. Acredito
que devido a tudo que eu conquistei aqui, dentro de campo, e o carinho
do torcedor. Isso deixa qualquer jogador feliz e tranqüilo para realizar
seu trabalho. O título foi fundamental para minha carreira.
JC: Muita gente fala que se você estivesse
num clube do RJ-SP, com essa bola que está jogando você teria
vaga na seleção, fácil, fácil. O que você
pensa sobre isso?
DF: Eu sempre confiei no meu trabalho, tracei objetivos desde quando eu
comecei. E a maioria das coisas que eu quis, eu conquistei, graças
a Deus. E se eu tivesse no eixo RJ-SP, eu iria lutar muito para chegar
na Seleção. Eu falo de coração. Tem meninos
aqui no Fortaleza começando uma carreira, talvez nem tenham objetivos.
Eu procuro passar muito isso para eles. Tem que colocar Seleção
como meta mesmo. Hoje em dia para você ir para Seleção
Brasileira ta muito fácil, basta jogar bem, ser determinado e acima
de tudo,ser um homem com caráter.
JC: Pires e Erandir têm chances de chegar
lá?
DF: Com certeza. Estou torcendo muito por eles, são grandes pessoas,
grandes jogadores e tem amplas condições de chegar a Seleção.
JC: É verdade que você recebeu propostas
do Santa Cruz e do Sport e recusou?
DF: Foi, foi. Eu tive algumas propostas. Santa Cruz e Sport me procuraram
e optei por ficar no Fortaleza, pelo fato da diretoria ter feito exatamente
como a gente combinou. O Fortaleza ta honrando com todos os compromissos,
e por tudo que eu conquistei aqui eu não via porque sair daqui.
Se eu fosse para outra equipe, eu tinha que conquistar isso tudo de novo.
JC: Você acredita que o Fortaleza pode chegar
à Primeira Divisão?
DF: Nós estamos lutando para isso. Ano passado nós chegamos
perto e este ano mais do que nunca, de todas as formas, para colocar o
Leão na Série A. Acima de tudo, o torcedor do Fortaleza
é fanático, é demais, um torcedor que prestigia.
Vocês podem analisar, em todas as competições que
nós disputamos as maiores rendas e públicos são da
nossa equipe. Eu fico imaginando se o Castelão tivesse aberto,
como seria. A gente vai lutar com unhas e dentes porque o Fortaleza merece
estar lá.
JC: Você teve algum desentendimento com o
Luis Carlos Martins?
DF: Nenhum.
JC: Nunca?
DF: Não, não. Para falar a verdade nunca me desentendi com
treinador nenhum.
JC: Até quando você pretende ficar
no Leão?
DF: Eu não penso em sair daqui. De maneira nenhuma. Claro que o
futebol tem altos e baixos, eu sou profissional e não posso afirmar
isso com certeza. Mas o meu interesse é permanecer por muito tempo
aqui no Tricolor.
JC: Você pensa em morar em Fortaleza no final
da carreira? Se isso acontecer, você teria a pretensão de
ajudar nossa diretoria dentro do que for possível, tornar-se um
diretor, já que encarna tão bem a raça e a fibra
da equipe do Fortaleza?
DF: Eu não tenho essa pretensão hoje. Eu penso futuramente,
quando eu parar, continuar dentro do futebol. Se for aqui no Fortaleza,
excelente, porque aqui é a minha casa, adoro a cidade, gosto do
torcedor, e sempre que for possível vou procurar ajudar, dentro
e fora do campo.
JC: E treinador de futebol?
DF: Eu tenho curso de treinador. É claro que eu nem penso em parar
ainda, mas na hora que isso acontecer, eu vou decidir se eu vou continuar
trabalhando, vê a função que eu vou exercer, e penso
em ser treinador sim.
JC: Qual o melhor parceiro da carreira e a melhor
formação de meio campo do Fortaleza que você atuou
nestes dois anos?
DF: O Fortaleza sempre teve um grupo forte. Quando o Ferdinando tava aqui,
ele armou o 3-5-2 e a gente começou a ganhar. Onde eu me adaptei
mais foi jogando ao lado do Pires, Claudinho e Clayton MA. O parceiro
que eu mais me entendi foi o Pires, que foi o jogador que mais encaixou
na minha filosofia dentro de campo. Um amigo, um companheiro, e que me
ajudou muito.
JC: O melhor esquema para você é o
3-5-2?
DF: Depende dos jogadores que tem a disposição.
JC: Atualmente o Fortaleza tem jogadores para esse
esquema?
DF: O time está se arrumando novamente.
JC: Ferdinando Teixeira, Luis Antônio Zaluar
ou Luis Carlos Martins... quem é o melhor?
DF: Você quer me complicar é? (risos) Eu me dei bem com os
três.
Nome Completo: Daniel Frasson
DND: 19/10/1970
Local: Siderópolis/SC
Time de coração: na infância, Vasco da Gama
Gol mais importante: ainda pergunta? (risos) O do título de 2000,
claro
Gol mais bonito: tem que ser o mesmo, né?!
O auge da carreira: aqui no Fortaleza
Religião: Católica
Deus: Tudo
Melhor técnico: eu me dei bem com alguns treinadores: Antônio
Lopes, no Internacional; Vanderlei Luxemburgo, Otacílio Gonçalves
e Carlos Alberto Silva, no Palmeiras. Mas o mais importante foi o Ferdinando
Teixeira, aqui no Fortaleza, que foi uma pessoa que me deu todo o aval
para que eu pudesse vir para cá.
Ídolo: Falcão
De Frasson, a torcida pode esperar sempre...: ser determinado, ser um
homem de caráter, um profissional correto que sempre vai procurar
ajudar dentro e fora do campo.