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Entrevistas:

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Entrevista com o treinador Ferdinando Teixeira

Por Júlio César Manso - 05 de Abril de 2002

Ferdinando Teixeira é um vencedor. Respeitado e idolatrado no Rio Grande do Norte, sua terra natal, ele conquistou seu espaço ganhando inúmeros títulos nos clubes potiguares. Em 2000, enquanto o Fortaleza amargava mais um turno perdido, Ferdinando estava conquistando mais um título em Natal. O encontro foi inevitável. Apaixonado por desafios profissionais, ele aceitou o convite e chegou no Tricolor de Aço em março de 2000.
No começo o susto foi grande. Encontrou um time grande, de uma torcida fantástica, mas que há três anos não conquistava um turno sequer, e há sete, amargava a falta de um título. Fora isso, uma estrutura defasava pelas más administrações. Ferdinando tratou de organizar tudo. Montou um time capaz de brigar pelo título e comandou o ressurgimento do Leão. Hoje o Fortaleza é um time diferente. Na entrevista, concedida ao repórter do site, Júlio César Manso, de maneira exclusiva, ele fala sobre sua carreira e suas vitórias. Estudioso do futebol, Ferdinando Teixeira é ídolo da torcida tricolor. Ano passado, quando ele voltou ao Tricolor depois de uma passagem no Santa Cruz, foi recepcionado por 3 mil pessoas que lotaram um simples treino só pra ver o "professor".

Fortaleza.Net - Fale um pouco da carreira de Ferdinando Teixeira antes de chegar ao Fortaleza.
Ferdinando Teixeira:
Eu vim do futebol de salão, no período que estava em alta no Nordeste inteiro, onde todos os jovens praticavam esse esporte. Depois fui para o campo. Cheguei a treinar, ser titular dos juniores, mas não segui carreira porque passei no vestibular muito novo e tive que fazer faculdade (de Educação Física). Depois comecei a trabalhar. Fiz concurso e passei a ser professor do Estado e da Escola Técnica Federal (hoje, CEFET). E comecei a trabalhar com futebol de salão. Fui para o futebol obrigado. O professor de futebol da Escola Técnica tinha se aposentado e eu era o técnico da equipe de salão. E eu fui exigido pela Escola para assumir os dois. Como eu sempre gostei mais de treinamento do que aula propriamente dita, eu gostei. Assumi, passei um ano dentro de clube aprendendo, trabalhando no futebol profissional, e a coisa foi evoluindo. Passei a treinar os juniores, ser preparador físico dos profissionais, depois fui campeão Junior, campeão intercolegial, um campeonato muito forte entre as Escolas de Natal que de 11 campeonatos, nós ganhamos 10. Durante esse período eu saí várias vezes pra fazer estágio, curso e isso me ajudou muito. Comecei minha carreira profissional no ABC, perdendo o meu primeiro campeonato nos pênaltis. Eu era treinador dos juniores, e a situação estava tão ruim, que subiram o treinador e mais cinco jogadores para o time principal. Ainda assim ganhamos o 1º e o 2º turno, perdemos o 3º, fomos pra decisão e perdemos nos penais depois de três jogos terminarem 0x0. Me afastei um pouco, a minha família tem muito político profissional e eu me candidatei a Deputado. Passei três anos me dedicando a isso. Voltei para o futebol e fui campeão pelo ABC, em 84; fui bicampeão com o Alecrim em 85 e 86; voltei para o ABC em 87, mas aí quiseram escalar o time no meu lugar e eu entreguei o cargo porque nunca deixei isso acontecer; no América, fui bicampeão em 88 e 89; me afastei, de novo, dessa vez para assumir a Secretaria de Esportes do Estado, passei 4 anos nessa função. Em 95, fui campeão estadual pelo ABC, além de conseguir o acesso para a Segunda Divisão; em 96 ganhei o 1º turno com o ABC, tive um problema com chefe de torcida organizada, saí, fui para o América, ganhei o 2º turno e o campeonato. Depois subimos com o América para a 1ª Divisão. Em 97 fui para o Exterior, voltei em 98, fiz o Brasileiro com o ABC, depois ganhamos o Tricampeonato em 99. Em 2000, ganhei o 1º turno com o ABC, com o time invicto e disparado na frente, e aí vim para o Fortaleza, cheguei aqui em março de 2000 e o resto vocês já sabem.

Fortaleza.Net - Como você avalia a participação do Fortaleza no Campeonato do Nordeste 2002?
Ferdinando Teixeira: Não é hora de atirar pedra em ninguém. É hora de você tentar recompor, tentar fazer um grande fecho no Campeonato do Nordeste, e fazer um grande Campeonato Estadual, saindo em seguida para o Campeonato Brasileiro. Então é fundamental que exista tranqüilidade, cabeça fria, não pode ser emocional nessa hora, mas eu acredito que, sem dúvida nenhuma, a demora nas contratações influiu sobre-maneira no rendimento da equipe. A reformulação era necessária, mas era pra ter sido feita mais rapidamente. Nós tínhamos que estar com essa equipe aqui em Janeiro. Tem uma forma simples de se analisar jogador aqui: o cara chega, se não jogar bem um ou dois jogos, pronto, já está queimado. Para quem trabalha, conhece, quem foi atleta, pratica esporte sabe que não é assim que funciona. Quem assiste é uma coisa, quem milita é outra. O jogador precisa de tempo. As vezes ele chega sem ritmo de jogo, fisicamente mal, precisa de um tempo, uma seqüência de jogos para render o seu futebol. E tem o problema de adaptação coletiva também. O grupo precisa render coletivamente. Eu acho que essas foram as grandes causas. Mas fora isso, nós perdemos gols incríveis, tomamos gols incríveis, no momento que jogávamos bem, tomávamos um gol de forma inocente e displicente, até, algo que não se admite no futebol profissional. Do outro lado, o time cria cinco chances e não faz nenhum. O outro cria duas e faz uma. Isso nos atrapalhou muito durante a campanha, mas eu acredito que nesse final de campeonato o Fortaleza foi um time que cresceu. Analisando sem olhar para o resultado tivemos momentos muito bons contra o CRB; devíamos ter enfiado uns 4 no Náutico porque nós jogamos pra isso, criamos oportunidades; com todos os erros da defesa, éramos, no mínimo, pra termos empatado aquele jogo com o Bahia, e se duvidar, vencido mesmo, porque criamos muitas chances mas infelizmente não fizemos os gols, e isso, obviamente, reflete no resultado.

Fortaleza.Net - A saída do Finazzi também foi um peso contra?
Ferdinando Teixeira: Bota peso nisso. Imagina o Finazzi naquela área contra o Bahia, com aquele monte de bolas passando ali. Pelo menos uns dois ou três ele teria feito.

Fortaleza.Net - Se você fosse um comentarista e tivesse que falar sobre o trabalho do técnico Ferdinando Teixeira, o que você diria?
Ferdinando Teixeira: Eu não sou comentarista, não posso avaliar.

Fortaleza.Net - Faça uma auto-avaliação, se preferir.
Ferdinando Teixeira: Eu acho que meu trabalho tem sido normal, um esforço muito grande, mesmo com todas as deficiências que a gente tem, de fazer o melhor possível coletivamente. É essa a visão que eu tenho e nunca vou me afastar dela, porque sei que é a visão correta dentro do futebol profissional. Você tem que fazer o coletivo render mais. A individualidade é ilusória. O coletivo é que rende. Nós tentamos, de todas as formas possíveis, ajudar a fazer um Fortaleza grande.

Fortaleza.Net - Muitas foram as críticas com relação à preparação física do Fortaleza. Você, como professor de Educação Física, como recebe essas críticas? Tem conversado com o Vereador (preparador físico do Fortaleza) nesse sentido?
Ferdinando Teixeira: Eu acho que quem avaliou assim, não entende nada de preparação física. É completamente analfabeto. E tem muito dentro do futebol. A preparação física exige estudo. O time que tá mal fisicamente não pressiona o Náutico, não vira o jogo contra o Sport, não pressiona o Bahia do jeito que pressionou. O Bahia sim foi que cansou porque não agüentou o ritmo do Fortaleza. Aí vem um analfabeto qualquer e diz que o time tá mal fisicamente, sem saber que para entender disso, é preciso estudar. Eu tenho muita pena desse povo que se mete a falar de coisas que não entendem. É como se eu fosse opinar sobre cirurgia plástica. Eu não sei como é. Mas tem gente que se vê uma cirurgia, aí já vai opinar sobre como deve ser feita. Não é assim. A pessoa que não entende de futebol e nem de preparação física deve ficar calada e não abrir a boca pra falar uma aberração dessa. Dentro de campo está provado que o time está bem fisicamente.

Fortaleza.Net - Existem jogadores com problemas de adaptação tática, se é que podemos usar este termo?
Ferdinando Teixeira: Como o time vem jogando há mais de dois anos do mesmo jeito, ninguém pode adaptar a tática ao jogador. O jogador que chega hoje no Fortaleza é que tem que se adaptar a tática. Já houve uma evolução boa, os últimos que chegaram já estão com uma seqüência de jogo, e aí é fácil adaptar.

Fortaleza.Net - O Fortaleza joga, desde a sua chegada no 3-5-2. Não está na hora de mudar um pouco esse esquema?
Ferdinando Teixeira: Quando o Fortaleza eliminou o Internacional e deu um baile no Bahia, ano passado, ninguém reclamava do esquema. O 3-5-2 era ótimo. E o que é diferente hoje? Só porque o resultado foi diferente?

Fortaleza.Net - O grupo de jogadores é diferente, Ferdinando...
Ferdinando Teixeira: Não. Acho que ninguém pode deixar o emocional falar por você. Tem que ter a condição crítica de avaliar. Muitos analistas e torcedores também, analisam o resultado. Se ganhou, o esquema é ótimo. Se perdeu, o esquema é péssimo. O esquema de uma equipe tem que ser avaliada independente do resultado. O 3-5-2 precisa ser muito bem estudado. Ouço muitas coisas como "os alas precisam ser eficientes"; o que é ser eficiente num ala?

Fortaleza.Net - Então você acha que os recém contratados já se adaptaram ao esquema?
Ferdinando Teixeira: 90% deles vieram porque já atuavam nesse esquema.

Fortaleza.Net - Qual o problema com a zaga do Fortaleza? Ela passou de uma das melhores do Nordeste para esse desastre que foi nesse campeonato.
Ferdinando Teixeira: O problema não é a zaga. O problema é a contenção. Existe um fato que passou despercebido por muitos. A contenção da equipe mudou do ano passado pra hoje. Os zagueiros praticamente são os mesmos, mas o meio de campo mudou todo. Os jogadores que faziam o primeiro combate foram trocados. Isso implica em prejuízo. As variações dos alas também prejudicou. Porque, o ala quando defende, atua como um terceiro volante. Quando ataca, como se fosse um meia. Isso foi trocado também. É normal ter uma certa dificuldade nisso aí. E pra completar o rendimento de alguns jogadores caiu muito. Eu não falo de jogador A ou B pra imprensa, nunca. Mas pra ele, eu falo, eu cobro, eu exigo.

Fortaleza.Net - É verdade que você falou numa rádio de Fortaleza que não escala o Cinésio porque ele é "ruim"?
Ferdinando Teixeira: Isso é uma mentira. Eu falei que ele tem problemas de fundamento, porque veio de uma equipe do interior de Minas Gerais, que não deu pra ele os fundamentos necessários e que nós estávamos trabalhando isso no jogador e por isso que ele estava melhorando, mas mesmo assim, com suas limitações. Eu nunca disse que o jogador era ruim. Quem disse isso é um grande mentiroso.

Fortaleza.Net - Você imagina o que seria conquistar um Tri para o Fortaleza? E com esse elenco, temos chances de ganhar esse título?
Ferdinando Teixeira: Está cedo para falar do Estadual. Eu e a direção temos conversado, devem exigir algumas mudanças, mas não são muitas porque senão influi negativamente. O torcedor tem que colocar uma coisa na cabeça: na hora que o clube fizer um time para cada competição, ele não vai ganhar nada. Tem que melhorar, qualificar os setores, trabalhar. Não pode é mandar todo mundo embora. Temos que diminuir os problemas.

Fortaleza.Net - Você aceitaria assumir um cargo de supervisão no Fortaleza depois que encerrar a carreira de treinador?
Ferdinando Teixeira: Não. Eu tenho uma "bodeguinha" em Natal, vende rapadura, farinha e banana, eu vou cuidar das minhas coisas quando sair do Futebol. E no dia que não tiver motivação pra ser treinador, eu paro. Não sou rico, mas morrer de fome eu não vou.

Fortaleza.Net - O fato de jogar no PV tem afetado o grupo de alguma forma?
Ferdinando Teixeira: Tem afetado. Por isso que temos feito grandes jogos fora de casa. A torcida é extremamente importante, claro. Mas esse ano tivemos problemas desde o começo. O pessoal fala que todo ano de Tri tem muita confusão aqui. Eu acho que talvez seja isso. É um ano que pode ser Tricampeão, aí as cobranças são muitas.

Fortaleza.Net - A exigência da torcida pode ter aumentado devido as boas campanhas do ano passado, não acha?
Ferdinando Teixeira: Também. Mas eu acho que existem muitos torcedores que incentivam e apóiam em qualquer situação. Aquela turma da TUF e o pessoal que fica atrás do gol têm servido de referência de apoio para nós. Muitas vezes a gente termina o primeiro tempo vaiado por uns, aplaudido por outros e eu sinto a reação do grupo no vestuário: "vamos fazer por aquele grupo lá (os dos aplausos). Eles merecem". Isso influi muito. Mas sem dúvidas a torcida do Fortaleza empurrou muito esse time para as vitórias, principalmente no ano passado.

Fortaleza.Net - Qual a posição do Darci?
Ferdinando Teixeira: Quem entende de futebol sabe que ele é o segundo atacante pela esquerda. A opção era ele jogar com o Finazzi, mas ninguém sabia que Finazzi ia embora.

Fortaleza.Net - Porque no treino você grita com alguns jogadores de uma forma mais rígida, e com outros, você é mais brando?
Ferdinando Teixeira: Quando eu acho que um jogador erra mais, eu cobro mais dele. E quando eu acho que ele pode melhorar. Quando eu acho que ele não tem jeito, eu não perco o meu tempo. Quando eu não reclamar com um jogador, é bom ele ficar aceso, porque eu não estou gostando dele. Quando eu cobro de um jogador, é porque eu acho que ali tem futuro. O Chiquinho, por exemplo, é um jogador que tem velocidade, mas tem limitações e eu preciso cobrar dele porque sei que ele pode melhorar.

Fortaleza.Net - Se hoje pintar uma proposta de um clube da 1ª Divisão, o que poderíamos esperar do Ferdinando?
Ferdinando Teixeira: Eu não falo sobre hipóteses.

Fortaleza.Net - Você pretende aproveitar os jogadores do sub-20 que estão agregados aos profissionais?
Ferdinando Teixeira: Ninguém empurrou esses jogadores para os profissionais. Eu que puxei. Assim como fiz com o Erandir, pedi para eles treinarem com a gente e fatalmente serão aproveitados.

Fortaleza.Net - Aqui no Fortaleza você já sofreu influência para escalar time?
Ferdinando Teixeira: No dia que acontecer entrego o time e vou embora no mesmo dia. Porque ou o treinador manda no time dele, ou não dá certo. Qualquer dirigente é igual ao torcedor; é emocional. Ele precisa trabalhar no lugar dele; se ele não confia no treinador para escalar o time, ele tem quem manda-lo embora.

Fortaleza.Net - O que mudou no Fortaleza 2000 (quando você chegou) para o Fortaleza de hoje?
Ferdinando Teixeira: São dois times muito diferentes, duas estruturas muito diferentes. O Fortaleza cresceu muito mais do que se pode ver do lado de fora. Meu Deus do céu. Quando eu cheguei aqui eu me assustei. Vim porque gosto de desafio. Começamos a trabalhar. Fortaleza, três anos que não ganhava um turno, sete anos que não ganhava um campeonato, não participava de Copa do Brasil, não participava de Campeonato do Nordeste, não passava de Campeonato Brasileiro da Terceira Divisão. Hoje o Fortaleza é considerado time de ponta, briga no Campeonato do Nordeste, é Bicampeão Estadual, é respeitado no Brasil inteiro e tem grandes condições de brigar por um Tri (com os pés no chão). A estrutura cresce muito; esse Dr. Manuel Guimarães, vocês torcedores precisam conhecer o trabalho desse cidadão. Ele é um gigante. Nem existia Departamento Médico aqui. Hoje você vê uma sala equipada, com grandes profissionais, as obras da sala de musculação estão quase prontas, teremos uma academia com aparelhos especializados, temos local pra reunião. É um time completamente diferente. Eu queria deixar um alerta para os torcedores: o Fortaleza nunca mais pode voltar a 1999. Nunca mais. Não aceitem. Eu estou aqui de passagem. O time não é meu. É de vocês. Eu posso errar, mas estou brigando sempre para ver o Fortaleza grande.

Fortaleza.Net - Você já foi procurado pelo nosso rival?
Ferdinando Teixeira: Nunca e nem permitiria isso. Uma vez, num almoço, o presidente do ceará falou pra mim, mas na base da brincadeira, na frente inclusive de dirigentes do Fortaleza: "você ainda trabalha com a gente". Mas isso faz parte.

Fortaleza.Net - Mas será que trabalha?
Ferdinando Teixeira: Não sei. Não falo sobre hipóteses.

Fortaleza.Net - Nem por uma boa proposta?
Ferdinando Teixeira: Eu não sou homem de negociar contrato. Eu posso sair para um time de fora, jamais para o rival do Fortaleza. Isso é questão de caráter, de comportamento, de formação.

Fortaleza.Net - Faz uma avaliação sobre sua ida para o Santa Cruz.
Ferdinando Teixeira: Eu acho que foi boa. Deixei o Fortaleza no momento certo, campeão invicto do 1º turno, com dinheiro em caixa, com dinheiro para receber em virtude das campanhas na Copa do Brasil, onde ficamos entre os 8, e Campeonato do Nordeste, onde fomos semifinalistas. Então, eu acho que me paguei. Tinha cumprido minha missão que era ajudar o Fortaleza a renascer. E fui para o Santa Cruz, uma experiência dura, mas eu gosto de desafios, de difícil convivência com o vice-presidente e um dos diretores de futebol. Tive problemas sérios lá, de bater de frente, e isso dificultou mais por problemas de contratação. E só voltei ao Fortaleza pelo carinho enorme que tenho a esse clube, por essa torcida maravilhosa que gosta de mim, e pra ajudar o Fortaleza a não ser rebaixado pra Terceira Divisão. Evitamos, e quase classificamos. Fomos ao outro extremo. Eu acho que tenho alguns defeitos, mas tenho dado, por pequena que seja, a minha contribuição ao Fortaleza. Tenho muito carinho e muito amor a esse time.

Fortaleza.Net - Você se considera um profissional teimoso?
Ferdinando Teixeira: O treinador que não é teimoso não pode ser profissional. Ele tem que acreditar nas convicções dele. Se eu acreditar na sua convicção, na de Jorge Mota, na de Sílvio Carlos, na de Vereador, na de Salvino, como é que eu vou pensar? A responsabilidade é de quem, afinal de contas? Eu insisto nas minhas convicções. Agora que fique claro, eu não ando chutando as coisas. Eu digo que dá certo e já provei que dá certo. Tem gente que diz que dá errado e nunca fez nada dentro de campo. Aí tem a cara de pau de chegar e dizer: tá errado. Mas como se você nunca provou? Se você nunca fez certo, como pode dizer que dá errado. Então eu to dizendo que dá certo porque eu já provei aqui dentro do Fortaleza que dá certo.

Fortaleza.Net - Deixa uma mensagem para os forenses, internautas e torcedores do Fortaleza de uma maneira geral.
Ferdinando Teixeira: Acredite no Fortaleza. Ajude seu time. Não vá ao estádio com o intuito de reclamar, de gritar "tem que jogar fulano de tal", não. Tem que jogar o Fortaleza. Você não pode torcer para A ou B. O Fortaleza tem que ser maior que qualquer nome. Esse time á grande, tem um potencial incrível. Nunca aceite o retrocesso. Não aceitem que o clube volte a realidade de três anos atrás.

Fortaleza.Net - Sua opinião sobre Romário e se acha que a Seleção ganha o penta.
Ferdinando Teixeira: Se Deus quiser. Potencial e talento nós temos. Sobre Romário, ele é um craque, sem dúvidas, mas é preciso ver como ele estará fisicamente na última convocação.


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